Em 2015, o CERT.br recebeu 722.205 notificações de incidentes de segurança, 31% menos que em 2014. Ataques a servidores web subiram 128%, varreduras em Telnet miraram roteadores domésticos e houve força bruta contra WordPress e Joomla pelo terceiro ano seguido.
Em 2015, o CERT.br, grupo de resposta a incidentes mantido pelo NIC.br, recebeu 722.205 notificações de incidentes de segurança envolvendo redes brasileiras, uma queda de 31% em relação a 2014. O total menor escondia mudanças importantes: os ataques a servidores web cresceram 128%, as varreduras passaram a mirar roteadores e modems domésticos, e as tentativas de força bruta contra sistemas de gestão de conteúdo como WordPress e Joomla apareceram pelo terceiro ano consecutivo.
As estatísticas não medem todos os ataques do país, apenas os incidentes notificados voluntariamente ao CERT.br. Ainda assim, são a série pública mais longa sobre o tema no Brasil.
Quais foram os principais números de 2015?
A tabela resume os dados divulgados em março de 2016, conforme reportagem da TI Inside.
| Tipo de incidente (2015) | Notificações | Variação sobre 2014 |
|---|---|---|
| Total | 722.205 | -31% |
| Varreduras (scans) | 391.223 | +48% |
| Tentativas de fraude | 168.775 | -64% |
| Ataques a servidores web | 65.647 | +128% |
| Negação de serviço (DoS) | 25.360 | -89% |
A queda forte em DoS se explica pela comparação com 2014, quando houve 223.935 notificações desse tipo, um volume atípico.
O que estava por trás da alta nos ataques a servidores web?
Segundo o CERT.br, os atacantes exploravam vulnerabilidades em aplicações web para hospedar páginas falsas de bancos, cavalos de troia, ferramentas de ataque e scripts de envio de spam ou golpes. Ou seja, sites legítimos e mal protegidos eram usados como infraestrutura para atacar terceiros.
Cristine Hoepers, gerente do CERT.br, resumiu a recomendação da entidade: a segurança deve ser pensada e implementada logo no início do desenvolvimento web.
Por que as varreduras em Telnet chamaram atenção?
As varreduras na porta 23 (Telnet) passaram de 10% para 22% das notificações de scan. O CERT.br associou o movimento à busca por equipamentos de rede doméstica, como roteadores Wi-Fi e modems, muitas vezes instalados com senhas padrão. A distribuição das varreduras por serviço ficou assim:
- SSH (22/TCP): 28%
- Telnet (23/TCP): 22%, contra 10% em 2014
- FTP (21/TCP): 7%
- SMTP (25/TCP): abaixo de 7%, contra 24% em 2014
- RDP (3389/TCP): 3%
Para Hoepers, cuidados como atualizar o firmware e trocar a senha de administração desses equipamentos eram essenciais.
Como evoluíram as fraudes?
As tentativas de fraude caíram 64% no total, mas com mudança de perfil. As notificações de phishing clássico contra bancos e lojas virtuais caíram 32%, e as de cavalos de troia, 59%. Em contrapartida, páginas falsas que não envolviam bancos nem comércio eletrônico, como imitações de webmail e redes sociais, cresceram 19%. Os ataques de negação de serviço seguiram explorando protocolos de amplificação de tráfego, como DNS, NTP, SNMP, SSDP e CHARGEN.
O que esses números ensinam para quem desenvolve e contrata sistemas?
Os dados de 2015 apontam lições práticas que seguem válidas:
- Segurança desde o projeto: aplicações web vulneráveis viram ferramenta de ataque contra terceiros.
- Atualização de CMS e plugins: força bruta contra WordPress e Joomla era recorrente havia três anos.
- Senhas padrão são risco real: equipamentos com configuração de fábrica eram alvo de varreduras em massa.
- Golpes migram de alvo: quando bancos reforçam defesas, golpistas passam a imitar outros serviços.
O que isso significa hoje para quem contrata uma software house?
Ao contratar desenvolvimento web, vale perguntar ao fornecedor como ele trata segurança desde a especificação, como mantém atualizados frameworks, CMS e plugins depois da entrega e se o contrato prevê correções de vulnerabilidades. Para sites já em produção, um teste de intrusão ou uma análise de vulnerabilidades feita por empresa especializada ajuda a descobrir se o sistema pode estar sendo usado, sem que ninguém saiba, para hospedar golpes.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quantos incidentes o CERT.br registrou em 2015?
O CERT.br recebeu 722.205 notificações de incidentes de segurança em 2015, uma queda de 31% em relação a 2014. Os dados foram divulgados em março de 2016.
Qual tipo de ataque mais cresceu em 2015?
Os ataques a servidores web foram o destaque, com 65.647 notificações e alta de 128% sobre 2014. Segundo o CERT.br, atacantes exploravam falhas em aplicações web para hospedar páginas falsas, malware e scripts de spam.
As estatísticas do CERT.br medem todos os ataques no Brasil?
Não. Elas reúnem incidentes notificados voluntariamente ao CERT.br por administradores de rede, empresas e usuários. Servem para indicar tendências, mas não representam o total de ataques ocorridos no país.