Em março de 2015, o NIC.br lançou o Ceweb.br, centro de estudos para promover tecnologias web abertas, com foco em dados abertos, web semântica e acessibilidade. Em setembro, a Web.br 2015 discutiu a "re-descentralização da web", privacidade de dados e acessibilidade, com alertas sobre serviços gratuitos.
Em 2015, o Brasil ganhou um centro dedicado às tecnologias da web aberta. O Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br), criado por decisão do CGI.br em janeiro e implementado pelo NIC.br, foi lançado em 25 de março de 2015 com a missão de promover tecnologias web abertas no país e contribuir para sua evolução por meio de estudos, pesquisas e experimentação. Em setembro, a Conferência Web.br 2015, organizada pelo escritório do W3C no Brasil, teve como tema a "re-descentralização da Web" e discutiu privacidade, dados conectados, pagamentos e acessibilidade.
Os temas do Ceweb.br em 2015, como dados abertos, web semântica e acessibilidade, estão na base do que hoje se discute em visibilidade para buscadores e assistentes de IA.
Quais eram as áreas de atuação do Ceweb.br?
Segundo o NIC.br, o centro começou com as seguintes frentes:
| Área | Iniciativas citadas no lançamento |
|---|---|
| Dados abertos | Debate sobre dados abertos como motor de inovação social e o projeto SPUK, em cooperação com a Embaixada Britânica e o governo de São Paulo |
| Web semântica | Um dos cinco temas de guias do SPUK e de um documento de roteiro sobre dados abertos e web semântica |
| Acessibilidade | Coordenação do Grupo de Trabalho de Acessibilidade na Web e do Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web |
| Padrões | Participação no grupo de trabalho Data on the Web Best Practices do W3C |
| Experimentação | Laboratório LabWeb |
Também estavam entre os temas de interesse a internet e a web das coisas, pagamentos na web, web e TV digital, web automotiva e a web como interface da nova economia. Vagner Diniz foi apresentado como gerente do centro. Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br, afirmou que, havia mais de 20 anos, a web era construída diariamente a muitas mãos.
O que a Web.br 2015 discutiu?
A conferência, realizada em 22 e 23 de setembro de 2015 em São Paulo, reuniu palestrantes do Brasil e do exterior. Alguns destaques registrados pelo NIC.br:
- Privacidade e dados: Andrei Sambra, pesquisador do MIT e membro do W3C, apresentou a plataforma SoLiD (Social Linked Data) e afirmou que, sempre que se usa um serviço gratuito na web, paga-se permitindo acesso aos dados pessoais.
- Web aberta: Vagner Diniz criticou organizações e governos que criam "jardins murados" e defendeu re-descentralizar a web para aproximá-la de seus princípios originais.
- Dados conectados: Phil Archer e Deirdre Lee trataram de dados ligados; Lee destacou desafios de qualidade, licenciamento e privacidade.
- Pagamentos: Adrian Hope-Bailie, da Ripple Labs, afirmou que transferir dinheiro deveria ser tão fácil quanto enviar um e-mail.
- Acesso universal: Sunil Abraham, do CIS da Índia, apontou licenciamento de hardware e de patentes como barreiras ao acesso universal.
Como a acessibilidade apareceu no debate?
Lêda Spelta, da Acesso Digital, afirmou que o trabalho de acessibilidade pouco havia mudado em 14 anos e citou o fechamento de 42 mil vagas de emprego para pessoas com deficiência no Brasil entre 2007 e 2010. Ela propôs que código acessível fosse condição para código válido nos padrões web e resumiu: "A acessibilidade não pode ser a cereja do bolo, tem que ser a massa, o suporte." Na mesma conferência, foram abertas as inscrições para a 4ª edição do Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web.
Por que esses temas importam para visibilidade online?
Os debates de 2015 anteciparam princípios que hoje orientam a presença digital de empresas:
- Dados estruturados e conectados: informação descrita de forma padronizada é mais fácil de ser entendida por máquinas.
- Web aberta: depender apenas de plataformas fechadas limita o controle da empresa sobre sua própria informação.
- Privacidade: o modelo de serviços "gratuitos" pagos com dados já era questionado.
- Acessibilidade: sites acessíveis atendem mais pessoas e tendem a ser mais bem estruturados.
O que isso significa hoje para quem contrata uma agência ou software house?
Ao contratar um site ou plataforma, vale exigir padrões abertos, marcação de dados estruturados, acessibilidade desde o projeto e controle da empresa sobre seus próprios dados e conteúdo. Esses princípios, discutidos pelo Ceweb.br e pela Web.br em 2015, são também a base para que buscadores e assistentes de IA encontrem e interpretem corretamente as informações de uma empresa.
Fontes
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Perguntas frequentes
O que é o Ceweb.br?
É o Centro de Estudos sobre Tecnologias Web, ligado ao NIC.br, lançado em 25 de março de 2015 após aprovação do CGI.br em janeiro daquele ano. Sua missão é promover tecnologias web abertas no Brasil, com atuação em dados abertos, web semântica, acessibilidade e padrões do W3C.
Qual foi o tema da Web.br 2015?
A Conferência Web.br 2015, realizada em 22 e 23 de setembro em São Paulo, teve como tema a "re-descentralização da Web", com debates sobre privacidade, dados conectados, pagamentos, acesso universal e acessibilidade.
O que significa re-descentralizar a web?
Na Web.br 2015, Vagner Diniz, do W3C Brasil, usou a expressão para defender que a web voltasse a seus princípios originais de abertura, em contraposição aos "jardins murados" criados por organizações e governos que concentram serviços e dados.