Em 2016, o W3C Brasil lançou o segundo fascículo de sua Cartilha de Acessibilidade na Web, lembrando que 23,9% dos brasileiros declaravam alguma deficiência. Durante as Paralimpíadas do Rio, o prêmio Todos@Web premiou VLibras, o portal da Dataprev e o portal da Unimed Fortaleza.
Em 2016, a acessibilidade na web ganhou espaço no debate de tecnologia no Brasil. Em junho, o W3C Brasil, iniciativa do CGI.br e do NIC.br, lançou o segundo fascículo da Cartilha de Acessibilidade na Web, com foco nos benefícios de sites acessíveis para empresas e na legislação, especialmente a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. A publicação citou dados do IBGE segundo os quais 23,9% da população, mais de 45 milhões de pessoas, declaravam ter alguma deficiência. Em setembro, durante os Jogos Paralímpicos do Rio, a 4ª edição do prêmio Todos@Web reconheceu iniciativas que tornavam a web acessível.
Para quem contrata um site ou aplicativo, o ano reforçou que acessibilidade é requisito de projeto, não um acabamento opcional.
O que a cartilha de 2016 abordava?
O segundo fascículo, produzido em parceria com o Ministério Público do Estado de São Paulo e com apoio do Ceweb.br, foi lançado no congresso CONIP e tratou de:
- Benefícios para empresas e pessoas: fidelização de clientes e melhor visibilidade em mecanismos de busca, segundo o W3C Brasil.
- Legislação: principalmente a Lei Brasileira de Inclusão e práticas adotadas internacionalmente.
- Orientações técnicas: diretrizes para programadores, designers e redatores.
- Orientação ao usuário: o que fazer ao encontrar barreiras de acesso.
O conteúdo foi revisado pelo Grupo de Trabalho de Acessibilidade na Web do W3C Brasil, com 120 participantes, entre especialistas e pessoas com deficiência. Reinaldo Ferraz, especialista em desenvolvimento web do W3C Brasil, afirmou que sites acessíveis trazem vantagens práticas, como mais visitantes e manutenção mais fácil, e que o acesso à informação é um direito protegido por lei.
Qual é o público afetado pela falta de acessibilidade?
A cartilha citou três dados do IBGE para dimensionar o tema:
| Grupo | Proporção da população | Número aproximado |
|---|---|---|
| Pessoas que declaram alguma deficiência | 23,9% | Mais de 45 milhões |
| Idosos | 11% | Cerca de 20 milhões |
| Analfabetos funcionais (acima de 15 anos) | 20,4% | Não informado |
Como foi o debate durante as Paralimpíadas?
Em 15 de setembro de 2016, o Ceweb.br promoveu no Rio Media Center, no Rio de Janeiro, um dia de debates sobre acessibilidade na web, com painéis sobre a relação do tema com a Constituição, o Marco Civil da Internet e a Lei Brasileira de Inclusão, audiodescrição e o papel de jornalistas e agências digitais. Vagner Diniz, gerente do Ceweb.br, disse que a ideia era tornar o assunto natural e comparou: "a acessibilidade na Web ainda é uma medalha a ser ganha".
Segundo o NIC.br, a legislação brasileira que exige sites governamentais acessíveis existe desde 2004.
Quem venceu o prêmio Todos@Web de 2016?
A 4ª edição do prêmio, promovida pelo Ceweb.br e pelo CGI.br com apoio do W3C Brasil, teve os seguintes destaques:
- Personalidade: professor José Antonio dos Santos Borges, coordenador do grupo de tecnologia assistiva do NCE/UFRJ.
- Aplicativos e tecnologia assistiva: Suíte VLibras, conjunto de ferramentas que traduz automaticamente o português para a Língua Brasileira de Sinais.
- Projetos web, governo: portal da Dataprev, que segue as diretrizes de acessibilidade do W3C e o padrão visual do governo federal.
- Projetos web, sociedade: portal da Unimed Fortaleza, também escolhido como melhor projeto web do evento.
Reinaldo Ferraz resumiu a mensagem do encontro: se o site não está pronto para receber todas as pessoas, quem tem deficiência é o site, e não as pessoas.
O que isso significa hoje para quem contrata sites e aplicativos?
Ao contratar uma software house ou agência, vale incluir requisitos de acessibilidade na especificação desde o início: conformidade com as diretrizes do W3C, testes com tecnologias assistivas, textos alternativos, navegação por teclado e contraste adequado. Corrigir acessibilidade depois do lançamento costuma custar mais do que planejá-la. Também vale pedir ao fornecedor exemplos de projetos acessíveis já entregues.
Fontes
- W3C Brasil, via lista de anúncios do NIC.br: W3C Brasil lança 2º fascículo da Cartilha de Acessibilidade na Web (jun. 2016)
- Ceweb.br, via lista de anúncios do NIC.br: Acessibilidade na Web será debatida durante os Jogos Paralímpicos (set. 2016)
- Ceweb.br, via lista de anúncios do NIC.br: Ceweb.br reconhece pessoas e iniciativas que promovem uma Web acessível a todos (set. 2016)
Compare nota, avaliações verificadas e score, e fale direto com a empresa pela Citeo.
Perguntas frequentes
O que era a Cartilha de Acessibilidade na Web do W3C Brasil?
Era uma publicação do W3C Brasil, iniciativa do CGI.br e do NIC.br, com orientações sobre acessibilidade em sites. O segundo fascículo, lançado em junho de 2016, tratou dos benefícios para empresas e pessoas, da legislação e de diretrizes técnicas para programadores, designers e redatores.
Quantos brasileiros têm alguma deficiência, segundo a cartilha?
A cartilha citou dados do IBGE segundo os quais 23,9% da população, mais de 45 milhões de pessoas, declaravam ter alguma deficiência.
Quem ganhou o prêmio Todos@Web em 2016?
Entre os vencedores da 4ª edição estiveram a Suíte VLibras, na categoria de aplicativos e tecnologia assistiva, o portal da Dataprev, em projetos web de governo, e o portal da Unimed Fortaleza, em projetos web da sociedade. O professor José Antonio dos Santos Borges, da UFRJ, foi homenageado como personalidade.