Dados apresentados pela Brasscom à Câmara em 2017 mostram que o emprego em software e serviços caiu de 608.868 vagas em 2015 para 596.272 em 2016. A associação atribuiu a perda de cerca de 13 mil empregos à recessão e ao aumento da contribuição previdenciária sobre a receita.
Em 2016, o setor brasileiro de software e serviços de TI encolheu em número de empregos. Segundo dados apresentados pela Brasscom em audiência pública na Câmara dos Deputados, em maio de 2017, o emprego em software e serviços passou de 608.868 vagas em 2015 para 596.272 em 2016, número ainda parcial. Somando hardware, componentes e comércio, o setor de TIC caiu de 840.886 para 817.132 empregos. A associação atribuiu a perda de cerca de 13 mil postos no ano à recessão e ao aumento da carga tributária sobre a folha.
Os números ajudam a entender o mercado de contratação de tecnologia num dos piores momentos da economia brasileira recente.
Como evoluiu o emprego em TIC entre 2014 e 2016?
A tabela reproduz os números apresentados por Sérgio Paulo Gallindo, presidente da Brasscom, em 11 de maio de 2017.
| Segmento | 2014 | 2015 | 2016 (parcial) |
|---|---|---|---|
| Software e serviços | 607.188 | 608.868 | 596.272 |
| Hardware e componentes | 130.901 | 104.333 | 99.952 |
| Comércio | 135.519 | 127.685 | 120.908 |
| Total do setor de TIC | 873.608 | 840.886 | 817.132 |
O hardware foi o segmento que mais perdeu vagas no período, mas, na série apresentada, 2016 foi o ano em que software e serviços também recuaram, depois de leve alta entre 2014 e 2015.
O que explicava a queda, segundo a Brasscom?
A apresentação associou a perda de empregos a dois fatores:
- Recessão: a economia brasileira estava em contração, o que reduziu investimentos e projetos.
- Carga tributária: em dezembro de 2015, a contribuição previdenciária sobre a receita bruta das empresas de TI subiu de 2% para 4,5%, pela Lei 13.161/2015, com a opção de voltar a pagar 20% sobre a folha.
Segundo a Brasscom, nos anos de desoneração mais branda (2010 a 2015), a receita do setor cresceu cerca de 12% ao ano, o setor absorveu 95.167 trabalhadores e a remuneração média subiu 14,3% ao ano, contra inflação de 7,0% ao ano. Em 2016, o crescimento da receita desacelerou para 5,5% e o dos salários para 6,6%.
É importante ler esses números como dados apresentados por uma associação do setor em defesa de uma política tributária. Eles são úteis como retrato, mas a relação de causa entre tributo e emprego é parte do argumento da entidade.
Qual era o tamanho do setor?
A mesma apresentação trouxe uma dimensão do setor em 2015:
- Produção de TIC, TI in-house e telecom: R$ 488,6 bilhões, cerca de 7,6% do PIB.
- TIC e TI in-house: R$ 215,6 bilhões, com crescimento nominal de 8,2%.
- Empregos em TIC e TI in-house: cerca de 1,5 milhão de pessoas.
A Brasscom também apontou que, no relatório de 2014 da Lei de Informática, software e serviços representavam apenas 4% do faturamento das 510 empresas que declaravam o benefício, embora correspondessem a 52,6% da receita do segmento. Para a entidade, a lei não alcançava esse subsetor.
O que estava em discussão em 2017?
Em março de 2017, a Medida Provisória 774 propôs encerrar a contribuição sobre a receita para a maior parte dos setores, entre eles TI e TIC, com retorno dos 20% sobre a folha. A Brasscom projetou que a medida eliminaria cerca de 83 mil empregos até 2019, enquanto a manutenção dos 4,5% sobre a receita permitiria criar cerca de 21 mil. A associação pediu adiamento e mais debate.
O que isso significa hoje para quem contrata serviços de TI?
O recuo do emprego em 2016 mostra como o custo do trabalho em TI responde a mudanças econômicas e tributárias. Para quem contrata alocação de profissionais ou squads, vale perguntar ao fornecedor como ele trata reajustes decorrentes de mudanças tributárias, qual a política de retenção da equipe e como garante continuidade se houver redução de quadro. A estabilidade da equipe é parte da qualidade da entrega.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quantos empregos o setor de software e serviços tinha em 2016?
Segundo a Brasscom, o setor de software e serviços tinha 596.272 empregos em 2016, número parcial, contra 608.868 em 2015. Somando hardware, componentes e comércio, o setor de TIC tinha 817.132 empregos.
Por que o emprego em TI caiu em 2016?
A Brasscom atribuiu a perda de cerca de 13 mil empregos em 2016 à recessão e ao aumento da contribuição previdenciária sobre a receita das empresas de TI, que passou de 2% para 4,5% em dezembro de 2015.
O que era a MP 774 de 2017?
Era uma medida provisória de março de 2017 que propunha acabar com a contribuição previdenciária sobre a receita bruta para a maioria dos setores, incluindo TI e TIC, e retomar a cobrança de 20% sobre a folha. A Brasscom projetou perda de 83 mil empregos até 2019 se a medida fosse mantida.