Em 2016, o mercado brasileiro de software cresceu só 0,2%, para US$ 8,475 bilhões, e o de serviços 2%, segundo ABES e IDC. Os investimentos em nuvem (SaaS e PaaS), porém, subiram 47,4%, para US$ 746 milhões, e o modelo em nuvem passou a superar o licenciamento tradicional.
Em 2016, o segundo ano seguido de recessão, o mercado brasileiro de software praticamente parou de crescer. Segundo o estudo da ABES feito com a IDC e divulgado em agosto de 2017, o segmento de software avançou apenas 0,2%, para US$ 8,475 bilhões, e o de serviços cresceu 2%, para US$ 10,227 bilhões. A exceção foi a computação em nuvem: os investimentos em SaaS e PaaS subiram 47,4%, de US$ 506 milhões para US$ 746 milhões, e o modelo em nuvem passou a superar o licenciamento tradicional.
A combinação de estagnação geral e crescimento forte da nuvem marca 2016 como o ano em que o modelo de assinatura ganhou espaço no orçamento das empresas brasileiras.
Como 2016 começou: o que se esperava?
No fim de janeiro de 2016, a IDC projetou crescimento de apenas 2,6% para o mercado brasileiro de TI, abaixo da inflação prevista, de 7,23%, e com o PIB estimado em queda de 2,95%. Denis Arcieri, country manager da IDC Brasil, disse que a economia difícil limitava investimentos e empurrava as empresas a buscar eficiência e diferenciais competitivos. A consultoria também esperava que mais da metade das empresas brasileiras embarcasse em projetos de transformação digital no ano.
Para a nuvem, a projeção era de crescimento de cerca de 20% ao ano no Brasil até o fim da década. O resultado de 2016 superou com folga essa expectativa.
Quais foram os números do ano?
| Indicador (Brasil, 2016) | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Software | US$ 8,475 bilhões | +0,2% |
| Serviços | US$ 10,227 bilhões | +2% |
| Software e serviços (total) | US$ 19 bilhões | 9º lugar no mundo |
| Nuvem (SaaS e PaaS) | US$ 746 milhões | +47,4% |
| Internet das coisas | US$ 6 bilhões | +27,8% |
| Big data e analytics | US$ 809 milhões | +3,2% |
Com US$ 19 bilhões em software e serviços, o Brasil ficou em 9º lugar no ranking mundial desse recorte. Em 2015, o país aparecia em 8º, com US$ 27 bilhões, segundo a edição anterior do estudo. Os valores das duas edições não devem ser comparados diretamente, porque variações cambiais e ajustes de metodologia podem afetar os números em dólar.
O que mostrou o avanço da nuvem?
Segundo o estudo, a participação do modelo em nuvem chegou a 53,3% do mercado considerado, alta de 133% em relação a 2013, e superou o licenciamento tradicional. Os aplicativos colaborativos foram o modelo de nuvem que mais cresceu. No CRM, a fatia em nuvem subiu de 20,8% em 2015 para 27,5% em 2016, embora o licenciamento tradicional ainda fosse maioria nesse tipo de software.
Os principais sinais do ano foram:
- Assinatura no lugar de licença: em um ano de caixa apertado, pagar por uso evitava investimentos grandes de uma vez.
- Colaboração na frente: ferramentas de trabalho em equipe lideraram a migração.
- CRM em transição: a gestão de clientes começava a migrar, mas ainda de forma parcial.
- IoT em alta: o monitoramento de frotas (US$ 856 milhões) e as redes elétricas inteligentes (US$ 631 milhões) eram os principais usos de internet das coisas no país.
Jorge Sukarie, presidente do conselho da ABES, afirmou que a internet das coisas estava intrinsecamente ligada à reinvenção dos negócios.
O que isso significou para fornecedores de software?
Para software houses e revendedores, 2016 mostrou uma mudança de modelo de receita. Projetos grandes e licenças perpétuas ficaram mais difíceis de vender, enquanto serviços recorrentes em nuvem cresceram. Empresas que dependiam de licenciamento tradicional precisaram rever ofertas, e quem desenvolvia sistemas sob medida passou a ser cobrado por integração com soluções em nuvem já contratadas pelo cliente.
O que isso significa hoje para quem contrata software?
A virada de 2016 ajuda a explicar por que hoje a pergunta "comprar, assinar ou desenvolver?" aparece em quase todo projeto. Ao avaliar uma software house, vale pedir que ela compare o desenvolvimento sob medida com soluções em nuvem existentes, mostre o custo total ao longo de alguns anos e explique como o sistema vai se integrar às ferramentas por assinatura que a empresa já usa.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quanto cresceu o mercado de software no Brasil em 2016?
Segundo o estudo da ABES com a IDC, o mercado de software cresceu 0,2% em 2016, para US$ 8,475 bilhões. O de serviços cresceu 2%, para US$ 10,227 bilhões, e o total de software e serviços somou US$ 19 bilhões.
Quanto a computação em nuvem cresceu no Brasil em 2016?
Os investimentos em nuvem, considerando SaaS e PaaS, cresceram 47,4% em 2016, de US$ 506 milhões para US$ 746 milhões, segundo ABES e IDC. O modelo em nuvem chegou a 53,3% de participação e superou o licenciamento tradicional.
Qual era a previsão para o mercado de TI no início de 2016?
Em janeiro de 2016, a IDC previu crescimento de 2,6% para o mercado brasileiro de TI, abaixo da inflação projetada de 7,23%. A consultoria citou a economia difícil como fator de limitação dos investimentos.