A pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2016, do Cetic.br, mostrou que 60% das ONGs usavam redes sociais e 37% tinham site, mas só 6% receberam doações pela internet. Para 61% das organizações conectadas, a tecnologia contribuía pouco ou nada para captar recursos.
Em 2016, as organizações sem fins lucrativos brasileiras estavam presentes na internet, mas quase não a usavam para arrecadar. Segundo a terceira edição da pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos, do Cetic.br, feita com 4.001 organizações entre maio e setembro de 2016 e divulgada em dezembro de 2017, 60% usavam redes sociais e 37% tinham website, mas apenas 6% receberam doações online no ano. Para 61% das que tinham acesso à internet, as tecnologias de informação contribuíam pouco ou nada para a captação de recursos.
O retrato é útil para agências de marketing e software houses que atendem o terceiro setor, um segmento com presença digital, mas com pouca conversão dessa presença em receita.
Como as ONGs estavam presentes na internet?
| Indicador (TIC OSFIL 2016) | Resultado |
|---|---|
| Presença na web (site e/ou redes sociais) | 67% |
| Uso de redes sociais | 60% |
| Website próprio | 37% |
| Site e redes sociais ao mesmo tempo | 29% |
| Acesso à internet | 71% |
| Uso de computador | 76% |
Entre as organizações com 10 ou mais funcionários remunerados, a proporção com website subiu de 41% em 2014 para 54% em 2016. Nos sites, os conteúdos mais comuns eram informações sobre atividades (84%) e notícias (81%). Nas redes sociais, 89% publicavam notícias sobre a organização, e cerca de três em cada quatro respondiam a comentários e perguntas.
Por que as doações online eram tão raras?
A pesquisa mostrou o descompasso entre presença e arrecadação:
- Doações online recebidas: 6% das organizações.
- Captação por redes sociais: 5%.
- Captação pelo site: 2%.
- Financiamento coletivo (crowdfunding): 1%.
- Percepção: 61% das organizações conectadas diziam que a tecnologia contribuía pouco ou nada para captar recursos.
A transparência também era limitada: 27% das organizações com site publicavam relatórios ou demonstrativos financeiros, e 35% das que tinham redes sociais publicavam informações de prestação de contas.
Como a situação evoluiu desde 2014?
Na edição anterior, divulgada em janeiro de 2015 com 3.283 organizações, 61% tinham perfil próprio em rede social, blog ou fórum, e o Facebook era o canal mais citado (53%). Naquela edição, 19% diziam que as tecnologias haviam aumentado a captação de recursos, e as doações de pessoas físicas eram a principal fonte de financiamento, citadas por 54%. Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, destacou na época a importância estratégica das redes sociais para essas organizações.
Entre 2014 e 2016, a infraestrutura melhorou: o uso de computadores novos passou de 74% para 83%, e conexões de 10 a 50 Mbps subiram de 8% para 19%. As principais barreiras citadas em 2016 foram falta de recursos financeiros (60%) e baixa velocidade de conexão (46%).
Que oportunidades o retrato indicava?
Para quem trabalha com marketing digital e tecnologia para o terceiro setor, os dados sugeriam frentes claras:
- Botões e páginas de doação: a presença existia, mas o caminho para doar raramente estava disponível.
- Prestação de contas online: publicar relatórios financeiros aumenta a confiança de doadores.
- Integração entre redes e site: só 29% usavam os dois canais, o que limitava a conversão.
- Campanhas de captação: redes sociais eram usadas para informar, mas pouco para pedir apoio.
O que isso significa hoje para quem contrata serviços digitais no terceiro setor?
Ao contratar uma agência ou software house, uma organização sem fins lucrativos pode pedir que o projeto inclua meios de doação simples, transparência sobre o uso dos recursos e métricas de conversão, e não apenas presença em redes sociais. Para fornecedores, o retrato de 2016 mostra um segmento com demanda por soluções acessíveis e de baixo custo de manutenção.
Fontes
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Perguntas frequentes
Quantas ONGs recebiam doações online em 2016?
Segundo a TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2016, do Cetic.br, apenas 6% das organizações receberam doações pela internet em 2016. Os canais mais usados para captação online foram redes sociais (5%), sites (2%) e financiamento coletivo (1%).
As ONGs brasileiras tinham site em 2016?
Segundo a pesquisa, 37% das organizações tinham website e 60% usavam redes sociais. Entre as organizações com 10 ou mais funcionários remunerados, a proporção com site chegava a 54%.
Qual era a principal barreira para o uso de tecnologia pelas ONGs?
Em 2016, a falta de recursos financeiros foi a principal barreira citada para o uso de computador e internet, por 60% das organizações, seguida pela baixa velocidade de conexão, por 46%.