A TIC Saúde 2016, do Cetic.br, mostrou que 74% dos estabelecimentos de saúde tinham sistema eletrônico de registro de pacientes, mas só 23% dos conectados tinham documento de política de segurança da informação e 24% criptografavam bases de dados. O agendamento online de consultas chegava a 18%.
Em 2016, a digitalização dos estabelecimentos de saúde avançava mais rápido do que sua proteção. Segundo a pesquisa TIC Saúde 2016, do Cetic.br, 74% dos estabelecimentos tinham sistema eletrônico para registrar informações de pacientes, mas apenas 23% dos que acessavam a internet tinham um documento de política de segurança da informação, índice estável em relação a 2015. A criptografia de bases de dados era usada por 24% deles. Entre os serviços online oferecidos aos pacientes, o agendamento de consultas aparecia em 18% dos estabelecimentos.
A pesquisa, quarta edição do estudo, entrevistou 2.298 gestores, 1.359 médicos e 2.197 enfermeiros entre setembro de 2016 e junho de 2017, e foi divulgada em novembro de 2017.
Como estava a segurança da informação?
Num setor que lida com dados sensíveis, os indicadores de segurança chamaram atenção. Entre os estabelecimentos com acesso à internet, as ferramentas adotadas eram:
| Ferramenta ou prática de segurança | Estabelecimentos com internet |
|---|---|
| Antivírus | 93% |
| Senha para acesso ao sistema | 74% |
| Firewall | 52% |
| Documento de política de segurança da informação | 23% |
| Criptografia de bases de dados | 24% |
| Acesso por biometria | 12% |
A política de segurança documentada chegava a 50% entre os estabelecimentos com mais de 50 leitos e a 33% nas capitais. Apenas 19% dos estabelecimentos tinham área, departamento ou unidade de TI; entre os que tinham internação e mais de 50 leitos, o índice era de 71%.
Como os dados de pacientes eram registrados?
Apesar de 74% terem sistema eletrônico, o registro exclusivamente digital ainda era minoria:
- Somente em formato eletrônico: 12%
- Parte em papel, parte em formato eletrônico: 63%
- Somente em papel: 24%
Quais serviços online os pacientes encontravam?
Cerca de metade dos estabelecimentos tinha presença na internet por meio de website ou redes sociais. Os serviços digitais, porém, eram menos comuns:
- Visualização de resultados de exames: 23%
- Agendamento de exames: 19%
- Agendamento de consultas: 18%
- Visualização do prontuário pelo paciente: 7%
E a conexão e a telessaúde?
Nos estabelecimentos públicos, 87% usavam computador e 76% acessavam a internet; nos privados, os dois índices chegavam a 100%. As Unidades Básicas de Saúde concentravam a falta de conexão: segundo a estimativa da pesquisa, 11.107 UBS não haviam acessado a internet nos 12 meses anteriores. A faixa de velocidade mais comum era de 1 a 10 Mbps (35%).
Na telessaúde, o setor público liderava: 41% dos estabelecimentos públicos participavam de alguma rede de telessaúde, contra 3% dos privados. Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, afirmou que, de forma geral, os indicadores tinham se mantido estáveis nos dois anos anteriores.
O que médicos e enfermeiros percebiam?
Os profissionais tinham avaliação positiva dos sistemas eletrônicos: 87% dos médicos e 90% dos enfermeiros disseram que eles melhoraram a eficiência da equipe, e 82% dos médicos e 79% dos enfermeiros relataram redução de exames duplicados ou desnecessários.
O que isso significa hoje para quem contrata tecnologia na saúde?
O retrato de 2016 mostra um descompasso que ainda merece atenção: sistemas digitais se espalham antes de a governança de segurança acompanhar. Ao contratar uma software house para sistemas de saúde ou uma empresa de cibersegurança, vale exigir política de segurança documentada, criptografia de dados sensíveis, controle de acesso individual e plano de resposta a incidentes. Em dados de saúde, o custo de um vazamento costuma ser muito maior do que o custo de prevenção.
Fontes
- Cetic.br, via lista de anúncios do NIC.br: TIC Saúde 2016 aponta desafios para universalização do acesso à Internet nos estabelecimentos públicos de saúde (nov. 2017)
- Cetic.br, via lista de anúncios do NIC.br: Cresce o número de estabelecimentos de saúde com website e perfis em redes sociais (nov. 2016)
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Perguntas frequentes
Quantos estabelecimentos de saúde tinham política de segurança da informação em 2016?
Segundo a TIC Saúde 2016, do Cetic.br, 23% dos estabelecimentos de saúde com acesso à internet tinham documento de política de segurança da informação. Entre os que tinham mais de 50 leitos, a proporção chegava a 50%.
Os estabelecimentos de saúde ofereciam agendamento online em 2016?
Poucos. A pesquisa mostrou que 18% ofereciam agendamento de consultas pela internet, 19% agendamento de exames e 23% a visualização de resultados de exames online.
Quantos estabelecimentos usavam prontuário eletrônico em 2016?
Segundo a TIC Saúde 2016, 74% tinham sistema eletrônico para registrar informações de pacientes, mas só 12% mantinham os registros exclusivamente em formato eletrônico; 63% combinavam papel e meio digital.