Em 15 de fevereiro de 2017, o LACNIC iniciou a fase final de esgotamento do IPv4 na América Latina e Caribe: o último lote, de 5 milhões de endereços, ficou reservado a novos entrantes, com até 1.024 endereços cada. No Brasil, o uso de IPv6 estava em cerca de 14%.
Em 2017, a América Latina e o Caribe chegaram ao fim do estoque de endereços IPv4, o sistema de numeração que identifica cada dispositivo conectado à internet desde os primórdios da rede. Em 15 de fevereiro, o LACNIC, registro regional de endereços, iniciou a terceira e última fase de esgotamento: o lote final, de 5 milhões de endereços, passou a ser reservado apenas a novos entrantes, com limite de 1.024 endereços por organização e sem alocações adicionais. Segundo o NIC.br, o uso de IPv6, o protocolo sucessor, era de cerca de 14% no Brasil naquele momento.
Para provedores, empresas de hospedagem e quem desenvolve sistemas conectados, a mensagem era clara: o IPv6 deixava de ser projeto futuro e passava a ser necessidade.
O que mudou em fevereiro de 2017?
O NIC.br, que distribui endereços no Brasil por meio do Registro.br, divulgou as novas regras em 16 de fevereiro de 2017. A política regional de término gradual do estoque estava em vigor desde 2014, e a fase iniciada em 2017 era a última.
| Regra da fase final (a partir de 15/02/2017) | Detalhe |
|---|---|
| Quem pode pedir | Apenas novos entrantes, organizações sem blocos IPv4 alocados diretamente pelo Registro.br |
| Tamanho máximo | 1.024 endereços por alocação |
| Alocações adicionais | Não permitidas |
| Estoque reservado | Último lote de 5 milhões de endereços |
Ricardo Patara, do NIC.br, lembrou que todo terminal que se conecta à internet precisa de um identificador e defendeu a transição para o IPv6, cujo espaço de endereçamento é praticamente infinito. O lote final tinha a função de permitir que novos provedores iniciassem suas operações e planejassem a migração.
Como estava a adoção do IPv6 no Brasil?
Segundo Eduardo Barasal Morales, da equipe IPv6.br do NIC.br, o uso de IPv6 no Brasil estava em cerca de 14% em fevereiro de 2017, com expectativa de crescimento rápido a partir da fase final do IPv4. O NIC.br vinha investindo em capacitação:
- Cursos e materiais: cursos, palestras, livro e vídeos educativos sobre IPv6.
- Formação em 2016: mais de 750 alunos treinados nas cinco regiões do país.
- Curso a distância: em 25 de maio de 2017, o NIC.br lançou um curso básico de IPv6 a distância, gratuito na fase beta, com duração estimada de 11 horas.
- Doação de livros: o livro "Laboratório de IPv6" passou a ser doado a bibliotecas de instituições com cursos de redes.
No lançamento do curso, Demi Getschko, presidente do NIC.br, afirmou que, com o avanço da internet das coisas e o esgotamento do IPv4, a adoção do IPv6 no Brasil havia se tornado inadiável.
Por que isso importa para quem não é provedor?
O esgotamento do IPv4 parece um tema restrito a operadoras, mas afeta empresas de vários portes:
- Hospedagem e nuvem: endereços IPv4 ficam mais escassos e podem encarecer serviços que dependem deles.
- Aplicações: sistemas que só funcionam em IPv4 podem ter problemas com usuários conectados apenas por IPv6 ou por tradução de endereços.
- Internet das coisas: projetos com muitos dispositivos conectados dependem de um espaço de endereçamento amplo.
- Segurança e registros: o compartilhamento de um mesmo IPv4 entre vários clientes dificulta a identificação de origem em logs e investigações.
O que mais o NIC.br fez pela qualidade da rede em 2017?
Em 25 de maio de 2017, durante o evento LACNIC 27, em Foz do Iguaçu, o NIC.br liberou o código-fonte do SIMET Box, seu sistema de medição de qualidade de conexão instalável em roteadores. Entre os testes estavam qualidade da conexão, DNS e IPv6; segundo o NIC.br, era o único sistema brasileiro de medição para usuários finais que testava IPv6.
O que isso significa hoje para quem contrata desenvolvimento e infraestrutura?
Ao contratar uma software house, uma empresa de hospedagem ou um projeto de internet das coisas, vale perguntar se a solução funciona em IPv6, se a infraestrutura proposta tem suporte nativo ao protocolo e como os registros de acesso identificam usuários quando há compartilhamento de endereços. Um sistema preparado apenas para IPv4 acumula uma dívida técnica que tende a crescer.
Fontes
- NIC.br, via lista de anúncios: Estoque de IPv4 na América Latina chega à fase final (16 fev. 2017)
- NIC.br, via lista de anúncios: NIC.br promove treinamento a distância sobre IPv6 (25 maio 2017)
- NIC.br, via lista de anúncios: NIC.br libera código-fonte de sistema que mede qualidade da Internet (25 maio 2017)
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Perguntas frequentes
Quando acabou o estoque de IPv4 na América Latina?
Em 15 de fevereiro de 2017, o LACNIC iniciou a terceira e última fase de esgotamento do IPv4 na América Latina e Caribe. O último lote, de 5 milhões de endereços, ficou reservado a novos entrantes, com no máximo 1.024 endereços por alocação.
Qual era o uso de IPv6 no Brasil em 2017?
Segundo a equipe IPv6.br do NIC.br, o uso de IPv6 no Brasil estava em cerca de 14% em fevereiro de 2017, com expectativa de crescimento rápido após o início da fase final do IPv4.
Quem pode pedir endereços IPv4 na fase final?
Apenas novos entrantes, ou seja, organizações que ainda não tinham blocos IPv4 alocados diretamente pelo Registro.br. Cada uma podia receber até 1.024 endereços, sem direito a alocações adicionais.