A 28ª Pesquisa Anual do Uso de TI da FGV, divulgada em abril de 2017, mostrou que as empresas brasileiras gastaram e investiram 7,6% da receita em TI em 2016, mesmo nível de 2014 e 2015, contrariando a expectativa de queda. Bancos lideravam, com 14% da receita.
Em 2017, a Pesquisa Anual do Uso de TI nas Empresas, da Fundação Getulio Vargas (FGV), trouxe um dado que surpreendeu o próprio coordenador: mesmo depois de dois anos de recessão, as empresas brasileiras mantiveram em 7,6% da receita o gasto e investimento em tecnologia da informação em 2016, o mesmo patamar de 2014 e 2015. A previsão para 2017 era de estabilidade. O professor Fernando Meirelles, responsável pela 28ª edição do estudo, disse à Convergência Digital que tinha convicção de que o número cairia pela primeira vez em 30 anos.
O resultado reforça uma leitura que já aparecia em 2015: em períodos de crise, tecnologia tende a ser tratada como ferramenta de eficiência, não apenas como custo.
O que a pesquisa da FGV mostrou?
A pesquisa, divulgada em abril de 2017, mede quanto as empresas gastam e investem em TI como proporção da receita. Os principais números foram:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Gasto e investimento em TI sobre a receita (2014) | 7,6% |
| Gasto e investimento em TI sobre a receita (2015) | 7,6% |
| Gasto e investimento em TI sobre a receita (2016) | 7,6% |
| Previsão para 2017 | Estabilidade |
| Peso da TI no PIB, segundo a FGV | 8% |
Como o gasto variava entre setores?
A média esconde diferenças grandes entre setores. Segundo o levantamento:
- Bancos: 14% da receita, com custo anual por usuário de R$ 86 mil.
- Serviços (puxados pelos bancos): 11% da receita.
- Indústria: média de 4,5%.
- Comércio: média de 3,5%.
Meirelles também afirmou que os supermercados brasileiros, inclusive redes multinacionais, estavam muito atrasados no uso de TI.
Por que o gasto não caiu na crise?
O coordenador da pesquisa apresentou duas explicações. A primeira é estrutural: segundo ele, a informatização "chegou para valer" e obriga as empresas a investirem em TI para continuar operando. A segunda é competitiva: para Meirelles, a TI é um diferencial ainda mais importante em tempos de ruptura.
O estudo também registrou uma relação observada ao longo da série histórica: cada 1% a mais de gasto em TI esteve associado a um aumento de 7% no lucro dois anos depois, relação que, segundo a reportagem, continuava valendo em 2017. É importante notar que se trata de uma associação estatística observada pela pesquisa, não de uma garantia de retorno.
Como esse dado se compara a outros indicadores do setor?
Outros levantamentos da época usavam métricas diferentes, o que exige cuidado na comparação:
- FGV: TI correspondia a 8% do PIB e as empresas aplicavam 7,6% da receita em TI.
- Brasscom: em apresentação à Câmara em maio de 2017, a associação estimou a produção de TIC, TI in-house e telecom em R$ 488,6 bilhões em 2015, cerca de 7,6% do PIB.
- ABES e IDC: o estudo divulgado em 2017 apontou estagnação do mercado de software em 2016, com alta de 0,2%, e crescimento de 47,4% da nuvem.
Os números não se contradizem necessariamente: as empresas podem ter mantido a fatia da receita dedicada à TI enquanto mudavam a forma de gastar, por exemplo trocando licenças por serviços em nuvem.
O que isso significa hoje para quem contrata tecnologia?
O retrato da FGV oferece uma referência útil para planejamento. Comparar o próprio gasto em TI com a média do setor ajuda a identificar se a empresa está investindo pouco ou muito. Ao contratar uma software house ou consultoria, vale apresentar ao fornecedor qual é o orçamento total de TI e pedir que a proposta mostre como o projeto se encaixa nele, inclusive nos custos recorrentes após a entrega.
Fontes
Compare nota, avaliações verificadas e score, e fale direto com a empresa pela Citeo.
Perguntas frequentes
Quanto as empresas brasileiras investiam em TI em 2016?
Segundo a 28ª Pesquisa Anual do Uso de TI da FGV, divulgada em abril de 2017, as empresas gastaram e investiram em média 7,6% da receita em TI em 2016, o mesmo percentual de 2014 e 2015.
Qual setor mais investia em TI segundo a FGV?
Os bancos, com 14% da receita aplicada em TI e custo anual por usuário de R$ 86 mil. O setor de serviços, puxado pelos bancos, ficou em 11%, a indústria em 4,5% e o comércio em 3,5%.
Quem coordena a pesquisa de uso de TI da FGV?
A pesquisa é coordenada pelo professor Fernando Meirelles, da FGV. A edição divulgada em 2017 foi a 28ª do levantamento.