Em setembro de 2024, o Banco Central iniciou a segunda fase do piloto do Drex, voltada a serviços financeiros por contratos inteligentes, com 16 empresas e consórcios. A privacidade seguia como principal desafio; em 2025, o BC adiou o uso de blockchain na fase seguinte.
Em setembro de 2024, o Banco Central iniciou a segunda fase de testes do Drex, a plataforma que vinha sendo desenvolvida como infraestrutura para a moeda digital e para a tokenização de ativos no Brasil. Nessa fase, as instituições participantes passaram a testar serviços financeiros oferecidos por meio de contratos inteligentes, criados e controlados por elas mesmas. A privacidade dos dados, exigida por lei, continuou como o principal obstáculo técnico, e o lançamento ao público foi empurrado para depois de 2024.
O que a segunda fase testava?
Segundo o Correio Braziliense, a segunda fase previa que as instituições avaliassem serviços financeiros entregues por contratos inteligentes, isto é, programas que executam regras automaticamente na plataforma. Os testes incluiriam também ativos que não são regulados pelo Banco Central, em coordenação com a CVM.
Fabio Araújo, coordenador da iniciativa no Banco Central, afirmou que os casos de uso precisariam considerar os requisitos de privacidade previstos em lei e que cada caso teria seus controles de privacidade testados.
Quem participava?
Além do Banco Central, 16 empresas ou consórcios integravam o piloto, segundo o Correio Braziliense:
- associações e infraestrutura: ABBC, ABC, B3, SFCoop e TecBan;
- bancos: Banco do Brasil, Bradesco, BTG, BV, Caixa, Inter, Itaú, Nubank e Santander;
- outros participantes: MB e o consórcio XP-Visa.
Qual era o cronograma?
| Etapa | Prazo informado em 2024 |
|---|---|
| Início do desenvolvimento dos temas da fase 2 | Semanas após o anúncio de setembro |
| Novas candidaturas de participantes | Até o fim de 2024 |
| Testes de contratos inteligentes pelos selecionados | Até o fim do primeiro semestre de 2025 |
| Lançamento previsto | 2025, segundo a reportagem |
Por que a privacidade era o grande problema?
O Drex foi desenhado sobre uma rede de registro distribuído, tecnologia parecida com blockchain, escolhida para permitir dinheiro programável e tokenização de ativos. Segundo a Exame, desde a primeira fase do piloto o projeto enfrentava dificuldade para conciliar as características dessa tecnologia com as exigências de privacidade de dados.
O tema acabou mudando o rumo do projeto. Em agosto de 2025, segundo a Exame, o coordenador Fabio Araújo disse ao Valor Econômico que as soluções de privacidade testadas eram boas, mas "aparentemente" não suficientes. O Banco Central dividiu o projeto: uma frente de longo prazo continuaria com a tecnologia de registro distribuído, e uma frente de curto prazo, sem blockchain, focaria na conciliação de gravames, as restrições sobre bens dados em garantia, com possível lançamento no segundo semestre de 2026.
O que isso significa para empresas de tecnologia?
O Drex de 2024 foi acompanhado de perto por fintechs, software houses e consultorias que viam na tokenização uma nova frente de projetos. A trajetória mostrou que projetos regulatórios de infraestrutura financeira podem mudar de arquitetura no meio do caminho.
O que isso significa hoje?
Em 2026, quem avalia investir em produtos ligados ao Drex deve acompanhar o desenho da frente de curto prazo e evitar apostar numa tecnologia específica antes de o Banco Central consolidar os padrões. Ao contratar uma software house para esse tipo de projeto, prefira propostas modulares, que suportem mudanças de infraestrutura.
Fontes
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Perguntas frequentes
O que foi a segunda fase do Drex?
Foi a etapa do piloto iniciada em setembro de 2024 em que as instituições participantes passaram a testar serviços financeiros oferecidos por contratos inteligentes, com testes de controles de privacidade para cada caso de uso.
Quantos participantes tinha o piloto do Drex em 2024?
Além do Banco Central, 16 empresas ou consórcios, entre eles B3, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Nubank e Santander.
O Drex abandonou o blockchain?
Em agosto de 2025, o Banco Central decidiu que a frente de curto prazo do projeto não usaria blockchain e focaria na conciliação de gravames. A tecnologia de registro distribuído continuou prevista na frente de longo prazo.