Em agosto de 2025, o Banco Central mudou o rumo do Drex: a frente de curto prazo deixaria o blockchain de lado e focaria na conciliação de gravames, com possível lançamento no segundo semestre de 2026. A tecnologia de registro distribuído ficou para uma frente de longo prazo.
Em agosto de 2025, o Banco Central anunciou uma mudança importante no Drex, a plataforma que vinha sendo desenvolvida para tokenização de ativos e liquidação entre instituições financeiras. O projeto foi dividido em duas frentes. A de curto prazo deixou de lado a tecnologia de blockchain e passou a mirar a conciliação de gravames, isto é, as restrições sobre bens dados em garantia, com possível lançamento ao público no segundo semestre de 2026. A frente de longo prazo manteve a tecnologia de registro distribuído, à espera de soluções de privacidade mais maduras.
O que motivou a mudança?
Segundo a Exame, desde a primeira fase do piloto o Drex enfrentava dificuldade para conciliar as características da tecnologia de registro distribuído com as exigências de privacidade de dados. O coordenador do projeto, Fabio Araujo, disse ao Valor Econômico que as soluções de privacidade testadas eram "boas", mas "aparentemente" não suficientes.
A mudança foi mencionada no evento Blockchain Rio, no início de agosto, e confirmada depois por Araujo, segundo a Convergência Digital.
Como ficou o novo desenho?
| Frente | Tecnologia | Objetivo | Prazo indicado |
|---|---|---|---|
| Curto prazo | Sem blockchain; rede própria do BC, segundo a auditora Clarissa Souza | Conciliação de gravames | Possível lançamento no 2º semestre de 2026 |
| Longo prazo | Registro distribuído (DLT) | Resolver o problema da privacidade para dinheiro programável | Sem data |
Clarissa Souza, auditora do Banco Central, disse ao Cointelegraph, citado pela Exame, que o BC queria uma rede própria adequada às suas necessidades. Não foi anunciado um substituto para a rede Hyperledger Besu usada no piloto.
O que foi adiado?
Segundo a Convergência Digital, a mudança adiou recursos que eram parte da promessa original do Drex:
- redes descentralizadas para dinheiro programável;
- crédito entre pares;
- operações financeiras sem intermediários.
Um executivo do setor ouvido pela publicação avaliou que o BC não descartou a tecnologia de registro distribuído, apenas adiou sua adoção, priorizando primeiro conciliação, liquidação e velocidade numa base centralizada. O Banco Central não respondeu às perguntas da Convergência Digital nem da Exame.
Por que isso importa para empresas de tecnologia?
O Drex mobilizou bancos, fintechs, empresas de tecnologia e consultorias desde 2023, com 16 consórcios testando a plataforma, segundo a Convergência Digital. A mudança de 2025 trouxe pontos de atenção para quem investia no tema:
- Projetos de tokenização baseados no piloto original precisam rever premissas de tecnologia e prazo.
- O foco em gravames indica que as primeiras aplicações devem estar ligadas a crédito com garantia; o presidente do BC, Gabriel Galípolo, citou o potencial do Drex no mercado de crédito, segundo a Exame.
- A privacidade se confirmou como requisito que pode mudar a arquitetura de um projeto inteiro.
Qual era o contexto internacional?
A Exame registrou que, na mesma época, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia criticado moedas digitais de bancos centrais e proibido um "dólar digital" no país. O Drex, porém, já vinha se afastando da ideia de moeda digital pura e se aproximando de uma infraestrutura de tokenização e liquidação entre instituições.
O que isso significa hoje?
Em 2026, quem avalia produtos ligados ao Drex deve acompanhar a frente de curto prazo e evitar compromissos de longo prazo com uma tecnologia específica antes de o Banco Central publicar os padrões definitivos. Ao contratar uma software house para projetos financeiros, prefira desenhos modulares, que suportem troca de infraestrutura.
Fontes
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Perguntas frequentes
O Drex abandonou o blockchain em 2025?
Não totalmente. A frente de curto prazo passou a dispensar o blockchain e a focar na conciliação de gravames, mas a tecnologia de registro distribuído continuou prevista em uma frente de longo prazo.
Quando o Drex pode ser lançado?
A Exame informou, em agosto de 2025, que a frente de curto prazo poderia chegar ao público no segundo semestre de 2026.
O que são gravames?
São restrições registradas sobre bens usados como garantia em operações de crédito. O primeiro uso do novo Drex seria simplificar a conciliação dessas informações.